Início Pará Polícia investiga relação de chacina com o tráfico de drogas ou briga...

Polícia investiga relação de chacina com o tráfico de drogas ou briga entre moradores, em Belém

204

A Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Pará instaurou nesta quarta-feira (7) um inquérito para investigar a chacina ocorrida na noite de terça (6) no bairro da Condor, em Belém. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup), cinco pessoas morreram e 14 seguem hospitalizadas após homens encapuzados atirarem contra um grupo de pessoas em um em um bar lotado.

De acordo com a Divisão de Homicídios, os primeiros relatos colhidos ainda na cena do crime apontam que os homicídios podem estar relacionados a conflitos entre traficantes de drogas por domínio de território ou por desentendimentos entre moradores da área da Condor. Oficialmente, nenhuma testemunha foi ouvida, segundo a Segup.

Com base na declaração das testemunhas, a polícia acredita que pelo menos oito homens encapuzados participaram da ação. Moradores da área relam que os atiradores cercaram o quarteirão e dispararam vários tiros. Duas crianças foram baleadas na ação, uma na cabeça e outra no pé. Inicialmente, a polícia divulgou que 15 pessoas tinham ficado feridas.

O trabalho de levantamento de informações no local do crime foi iniciado por uma equipe de policiais da Divisão de Homicídios, juntamente com peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves (CPC). Os corpos das vítimas foram liberados corpos na tarde desta quarta-feira (7).

“Mata todo mundo”

Familiares das vítimas relataram à equipe de reportagem da TV Liberal os momentos de terror sofridos durante a chacina. “Foi um terror, né? Vários tiros ali. Saímos para acudir as pessoas, chegou na hora e encontrei meu sobrinho lá, querendo se levantar e não conseguia”, contou um familiar de uma das vítimas.

Um morador da área realata que os atiradores tinham a intenção de atirar contra várias pessoas. “Muita gente se fingiu de morta, porque a ordem veio mesmo: ‘mata todo mundo!'”, relatou o morador.

Outra testemunha relatou que várias armas foram usadas pelos atiradores. “Estavam de escopeta, metralhadora, revólver, atirando em todo mundo que aparecesse. Todo mundo correndo, criança”, afirmou.

Em mensagens de áudio compartilhadas por meio de aplicativos de telefone celular, é possível ouvir vários tiros na gravação. “Amiga, eu estou aterrorizada aqui na rua, na Quintino (Bocaiúva). Está saindo muito tiro, muito tiro, muito tiro, muita bala, amiga. Tu tá ouvindo?”, diz uma das mensagens.

A esposa de uma dos mortos na chacina contou que estava na Igreja quando o marido foi baleado. “Ele estava vivo, ele não era nenhum vagabundo, ele trabalhava. Ele deixou quatro filhos. Mataram ele de forma tão brutal. Todos os quatro que morreram ali não eram bandidos, eram amigos, eles trabalhavam”, disse a viúva.

“Ele falou que ele ia assistir o jogo do Paysandu e que não ia demorar porque eu ia para a novena. Aí eu convidei ele para ir comigo e ele falou: ‘não, vai amor, leva meu crucifixo e a foto dos meninos e minha identidade’. Foram as últimas palavras que ouvi dele. A gente estava recebendo a bênção lá na igreja e ligaram para a minha irmã, falaram que ele só tinha sido baleado e quando cheguei no pronto socorro, não demorou muito, e disseram que ele tinha falecido”, relatou a esposa da vítima.

Fonte:G1
Foto: Diego Feitosa/TV Liberal