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Projeto da PM leva mais segurança a oito bairros de Belém

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Mais do que um policial, um amigo. É assim que cerca de 1.700 moradores de oito bairros de Belém passaram a enxergar o policial militar. A mudança de paradigma acontece três anos depois da criação do projeto “Vizinhança em Alerta”.

A iniciativa de polícia comunitária fortalece a solidariedade e incentiva comportamentos que contribuem com a segurança dos membros da comunidade atendida, por meio da prevenção de assaltos, troca de informações com a polícia e intervenção junto a suspeitos.

Hoje, o projeto já traz resultados positivos. Em dezembro de 2017, o número de assaltos nos oito bairros de Belém envolvidos no projeto caiu 23% em relação ao mesmo período de 2016. Estão inseridos no “Vizinhança em Alerta” os seguintes bairros: Cidade Velha, Canudos, São Brás, Fátima, Nazaré, Umarizal, Reduto e Campina.

“Eu não vejo hoje a questão da segurança sem esse projeto. A gente vê na prática a diminuição do número de assaltos. Se a gente precisar falar com alguém da polícia, temos os números deles, em contato direto”, diz a moradora e proprietária de uma fábrica de velas na Cidade Velha, Ana Brahuna.

Como foi criado?

A iniciativa surgiu a partir de uma demanda apresentada ao 2º Batalhão da Polícia Militar pelos moradores da Cidade Velha, primeiro bairro atendido pelo programa.

O projeto capacita os moradores com orientações de segurança preventiva. Depois eles passam a fazer parte de uma rede de comunicação que envolve 45 grupos de um aplicativo de mensagens instantâneas, reuniões frequentes de acordo com a demanda apresentada pela comunidade para uma maior aproximação com a polícia, e visitas dos policiais a residências e estabelecimentos comerciais da comunidade envolvida.

“Das organizações públicas que procuramos, a Polícia Militar foi quem mais aceitou e nos ajudou a criar esse esforço. Na rua da minha casa (Carlos de Carvalho) foram quatro assaltos em uma semana, antes da criação desse projeto. Mas a partir desse trabalho da comunidade com a polícia, a gente conseguiu reduzir isso”, disse o servidor público Ivan Costa, morador da Cidade Velha há 49 anos.

Integração – Durante as 24 horas do dia, os moradores envolvidos no projeto têm acesso a grupos de whatsapp. Eles são informados sobre as 19 operações diárias que acontecem em cada um dos oito bairros integrantes do programa.

“Essa aproximação é fundamental, e tem sido uma grande escola para a Polícia Militar. Nós falávamos muito nessa aproximação, mas queríamos que ela não fosse uma aproximação subordinada e nem submissa, fosse realmente eficaz. Conseguimos quebrar paradigmas em relação ao trabalho policial, fazendo a população compreender qual o papel e até onde vai o trabalho da PM. Hoje, os moradores conhecem o prefixo das viaturas que fazem a ronda nos seus bairros, e o nome do policial que está comandando. Eu acredito que essa comunicação criada entre a comunidade e a polícia, essa troca de confiança e informações, foi o fator primordial para que pudéssemos atuar de forma preventiva e eficaz no combate à violência”, fundamenta o major Luiz Octavio Rayol, comandante do 2° Batalhão.

Reuniões construtivas – Uma das ferramentas mais importantes dessa força-tarefa entre polícia e comunidade são as reuniões de avaliação do projeto. Através de uma delas, surgiu a ideia conjunta de reforma do prédio cedido pela Arquidiocese de Belém para o funcionamento da 1ª Companhia do 2º Batalhão da Polícia Militar, com efetivo de 146 militares, que serão responsáveis pelo atendimento dos bairros da Campina, Reduto e Cidade Velha.

O prédio fica na rua Dr. Assis, ao lado da Igreja da Sé, e foi cedido por tempo indeterminado. O local está sendo reformado para melhor atender os militares. Em abril, quando a nova delegacia passará a funcionar, os moradores das áreas vão ter um local mais acessível para atender suas queixas e demandas. Antes, a 1ª Companhia do 2º Batalhão funcionava nos altos de um imóvel, em pleno centro comercial de Belém.

PrecComunidade – Na quarta-feira (14), foi lançado em uma reunião com integrantes do “Vizinhança em Alerta” e policiais do 2° Batalhão, o PrecComunidade, um programa de redução de criminalidade. O primeiro passo do programa vai ser a realização de reuniões frequentes, nas quais serão estabelecidas metas, e a partir dessas metas, serão definidas ações policiais e não policiais.

“Queremos nos mobilizar também com outros órgãos de segurança como Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb), Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal, Funpapa, para tentarmos diminuir os impactos dos problemas sociais e reduzirmos a violência”, destacou Ivan Costa, um dos idealizadores do programa.

Por Syanne Neno
Fonte:Agência Pará