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Obras da nova Avenida João Paulo II entram na reta final

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Para garantir a qualidade do projeto e também dos serviços que serão prestados à população, a conclusão das obras de prolongamento da Avenida João Paulo II precisaram ser adiadas. Os trabalhos, contudo, seguem em ritmo acelerado. Todo o escopo de terraplenagem e drenagem da Avenida João Paulo II já foi finalizado. A estrutura da ponte sobre o lago Bolonha já foi toda montada e a da outra ponte prevista no projeto, que sobrepõe o Lago Água Preta, será finalizada ainda este ano.

A mudança na data prevista anteriormente para a conclusão da obra deve-se a uma falha no fornecimento do aço contratado para a fabricação das passarelas de pedestres. Após ensaios de qualidade, a construtora responsável atestou que o material entregue não atendia as especificações do projeto, acarretando, além do atraso na atividade, em uma ação judicial para apurar a questão. Contudo, um novo fornecedor foi contratado e já iniciou a fabricação das 180 toneladas de aço corten necessárias, garantindo a qualidade exigida pelas normas técnicas.

As passarelas e paradas de ônibus serão fabricadas offshore (fora do canteiro de obra) para maior agilidade no processo e redução das datas. Atualmente, há um efetivo de mais de mil colaboradores diretos dentro do projeto, trabalhando em dois turnos.

O gerente da construtora responsável pelo empreendimento, Oscar Bandeira, explica que o material das sete passarelas é o aço 588 corten, do tipo patinável, produzido sem costura durante a fabricação e cuja composição contém elementos que melhoram suas propriedades anticorrosivas. “Comparado ao aço comum, o aço corten é até três vezes mais resistente à corrosão apresentando maior durabilidade. Daí a nossa escolha e preciosismo em relação a esse material”, informa.

O prolongamento da João Paulo II, que se configura como uma via semiexpressa, desafogará em grande escala o tráfego na Região Metropolitana de Belém, visto que hoje o acesso à capital paraense é feito apenas pela BR-316 e pela nova Avenida Independência. Assim, os motoristas passarão a contar com uma terceira opção. Porém, esse projeto é muito mais que uma obra de mobilidade, porque resultará também em benefícios nas áreas ambiental, paisagística, social, de segurança, mobilidade, telecomunicações e de saneamento básico.

“Devido a sua complexidade, a obra requer um pouco mais de tempo para ser entregue, porém estamos certos de que foram cumpridas e respeitadas todas as prerrogativas necessárias para alcançar a excelência de um empreendimento que representa qualidade de vida para a população”, explica o diretor geral do NGTM, Cesar Meira.

Desenvolvimento urbano

A nova via terá acostamentos, ciclovias e calçadas projetadas em consonância com os preceitos legais de acessibilidade. Também contará com drenagem, iluminação pública e monitoramento de segurança. Sete passarelas para pedestres serão implantadas ao longo do eixo de 4,7 quilômetros, às proximidades dos seis pares de pontos de ônibus urbanos.

A nova avenida se constituirá numa via metropolitana de duas pistas para tráfego geral, cada uma com 10,50 metros de largura, dividida em três faixas de tráfego com 3,50 metros cada. A via também será dotada de acostamentos com 2,50m, mesma medida da ciclovia bidirecional, além de dois metros de calçada do lado esquerdo e 1,20m do lado direito. As pistas serão separadas por canteiro central, que terá largura variável.

A interligação da Avenida João Paulo II com a BR-316 se dará pela quarta pétala do elevado do Coqueiro, que já foi construída e entregue em outubro. Assim, a conexão do prolongamento com o elevado do Coqueiro e deste com a Rodovia Mário Covas, também permitirá o acesso direto à capital de veículos oriundos dos conjuntos Cidade Nova e Paar e bairros do Coqueiro e 40 Horas, em Ananindeua. A ideia é melhorar a distribuição do tráfego geral e do transporte público, além de viabilizar a implantação do Bus Rapid Transit (BRT) na rodovia BR-316 até o município de Marituba.

Além do prolongamento da João Paulo II, quatro vias fazem parte do projeto e completam o sistema de mobilidade. Todas receberão pavimentação, drenagem e iluminação pública. São elas: Rua Moça Bonita (entre Avenida João Paulo II e BR-316); Rua do Fio (entre Passagem Simões e BR-316); Passagem Simões (entre Rua do Fio e Avenida João Paulo II) e Rua da Pedreirinha (entre e Avenida João Paulo II e BR-316). A área do projeto mede 27,1 hectares e abrange os bairros Castanheira e Guanabara, que têm cerca de 60 mil habitantes.

Preservação ambiental

Outra importante contribuição que a obra trará para a região metropolitana é a preservação ambiental, pois a via funcionará como uma barreira física e sanitária para a Área de Preservação Ambiental (APA) Belém. O Parque do Utinga (PEUt), com 1.393,0088 hectares, é a maior área de conservação com proteção integral na Grande Belém aberta à visitação e o único parque natural do Brasil localizado em perímetro urbano.

O projeto ainda potencializará os aspectos socioambientais do PEUt, pois considera, fundamentalmente, as questões de proteção ambiental e ordenamento do espaço urbano. Esses benefícios já podem ser constatados por meio de dados fornecidos pelos órgãos de proteção ambiental. A última fase de ampliação da via refletiu de maneira significativa na preservação do Utinga, reduzindo a zero o avanço de novas moradias que vinham sendo instaladas na área.

O Parque do Utinga contempla as áreas de floresta de terra firme, várzea e igapós. No local existem diversas espécies de aves, mamíferos, répteis, anfíbios e insetos, além de uma flora exuberante. Atualmente, o Parque tem várias funções: protege os mananciais da Região Metropolitana de Belém, responsáveis por 60% do abastecimento público de água; funciona como área de pesquisa para instituições de ensino superior e também como laboratório natural de biodiversidade; sedia reuniões de governo; abriga um banco de sementes de espécies regionais, além de ser uma área de lazer para a população.

Contudo, a obra já contribui para estancar o processo de avanço da malha urbana e proteger espécies da fauna silvestre que são monitorados periodicamente no Parque. “Além de constituir uma barreira física de proteção, essa obra proporciona o maior controle e fiscalização da área do parque pelo Batalhão de Polícia Ambiental, que fará uso de uma via exclusiva de monitoramento para combater a captura ilegal de espécies que vivem ali, prática essa que interferia no equilíbrio ecológico daquele ambiente”, informa a diretora executiva do NGTM, Marilena Mácola.

O projeto contempla, ainda, a Bofitorremediação, um eficiente sistema de captação e tratamento de águas provenientes das bacias de contribuição, que hoje estão sendo lançadas diretamente no Parque do Utinga, o que diminuirá a contaminação dos mananciais da cidade e reduzirá o índice de doenças causadas por mosquitos, trazendo mais saúde e qualidade de vida para a comunidade.

Benefício Social

O projeto possui um forte viés social. Entre várias atividades socioambientais desenvolvidos nos bairros do entorno da obra está o “Reciclar Faz Bem”, resultado de uma parceria entre o Governo do Estado, o Instituto Camargo Correa e a Cooperativa de Trabalho dos Profissionais do Aurá (Cootpa).

A iniciativa estabelece a construção de uma central de triagem e o assessoramento na gestão do negócio, com a capacitação e formação dos cooperados para consolidação da coleta seletiva em Belém e Ananindeua. O objetivo do projeto é aumentar a quantidade de resíduos sólidos comercializados, ampliando os nichos de atuação do negócio e incrementando a renda média dos beneficiários.

A proposta surgiu a partir de uma necessidade local, pois a obra tem o condão de proteger essa área, especialmente os lagos, que têm um histórico de acumulação de resíduos sólidos por falta de local de destino do material. Justamente por não haver grupos que façam esse trabalho de coleta e triagem, o projeto foi idealizado.

A Central de Resíduos foi construída na margem da nova avenida, em um terreno doado pelo Estado, demandando investimento de R$ 1 milhão, aplicados na formação da cooperativa, construção da unidade e instalação de equipamentos. Também estão previstas áreas de lazer, com equipamentos urbanos.

Também faz parte do projeto a primeira rede de telecomunicações do Estado, com cabos subterrâneos de fibra óptica, que serão utilizados para transferência de dados e internet de alta capacidade. O projeto permitirá a integração de unidades do Estado, como escolas e prédios públicos, a promoção da segurança pública, por meio de monitoramento remoto pelas polícias, e ainda beneficiará a população do entorno com pontos de acesso livre à internet instalados em espaços públicos.

A concepção do projeto também prevê uma composição paisagística que se harmonizará com a do Parque do Utinga. A área da nova Avenida João Paulo II será uma das mais belas de Belém, e, somada à nova proposta do Parque Ambiental do Utinga, se tornará um ponto de contemplação da natureza, entretenimento, esporte e lazer.

Pontes

O projeto prevê duas pontes, uma (de 176m) a 60 metros da Passagem Mariano, transpondo a ponta do Lago Bolonha, e a outra (de 224m) a 30 metros da Rua da Pedreirinha, transpondo a ponta do Lago Água Preta. As pontes possuem estrutura mista, em metal e concreto, e foram projetadas de modo a não causar interferência aos Lagos.

O processo de montagem também foi pensado de forma diferenciada. Elas foram armadas em terra, no pátio de empurre, para então serem movimentadas para sua locação definitiva. Isso fez com que as atividades antecedentes fossem realizadas “offshore”. Com essas medidas e tecnologias adotadas caiu para praticamente zero o impacto ambiental sobre os Lagos Bolonha e Água Preta.

As obras, que representam a segunda etapa do projeto Ação Metrópole, totalizam investimentos de R$ 300 milhões, sendo R$ 104 milhões de recursos provenientes do FGTS/Caixa Econômica; R$ 80 milhões do Orçamento Geral da União/Caixa Econômica e R$ 118 milhões de contrapartida do governo, verba oriunda do Tesouro Estadual. O início das obras se deu com a autorização oficial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para prospecção arqueológica na área de abrangência da nova via.

Por Manu Viana
Fonte: Agência Pará