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PEUt receberá primeiras aves destinadas à reintrodução

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Após mais de 60 anos sem nenhum registro de aparição na região metropolitana de Belém por conta de um processo de extinção, chegaram nesta segunda-feira (7) a Belém, vindas de São Paulo, 12 exemplares deaArarajuba, uma ave típica da região Norte e que está sendo reintroduzida em seu habitat natural. O Programa de Reintrodução e Monitoramento de Ararajubas (Guaruba guarouba) em Unidades de Conservação da Região Metropolitana de Belém é desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio) e a pela Fundação Lymington, de São Paulo.

A ação tem como objetivo a reinserção dos animais em seus habitats naturais. A primeira área a receber as ararajubas é o Parque Estadual do Utinga (PEUt), onde as aves, que chegaram ontem, passarão por um processo de readaptação em viveiros e depois serão reintroduzidas na área aberta do Parque do Utinga, Área de Proteção Ambiental (APA) da Região Metropolitana de Belém, APA do Combu, Refúgio de Vida Silvestre, na Alça Viária, e APA do Abacatal, em Ananindeua.

No parque, os animais passarão por uma fase de readaptação de quatro meses, até que sejam libertadas na natureza. A previsão é que a soltura seja realizada no início de outubro. O Professor Doutor Luis Fábio da Silveira, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, que coordena tecnicamente o projeto, explica que as aves existiam na fauna de Belém e despareceram entre as décadas de 40 e 50 por causa da expansão urbana, do desmatamento e do comércio ilegal de animais silvestres.

Hoje, a ocorrência de ararajubas se dá em pequena parte do estado do Maranhão, pequena parte do Pará e pequena parte do Amazonas. “ É uma ave bastante ameaçada, mas que tem se reproduzido com sucesso em cativeiros. É uma das aves mais bonitas da região e que só existe na Amazônia Brasileira”, comenta o pesquisador.

Ele ressalta ainda que o Brasil é o País que mais tem ocorrências de espécimes de papagaios e a ararajuba, por causa de sua plumagem, nas cores amarelo e verde, são bem representativas da fauna e da natureza brasileira. “A ararajuba é um animal que ajuda na recomposição de outros animais e da própria floresta, como dispersora de sementes, e controla o crescimento de outras árvores”. Nesta terça-feira (9), às 14 horas, na sede do Ideflor, o pesquisador apresentará o projeto ao público.

Um dos mais emocionados com a achegada das ararajubas em Belém era o diretor de Gestão da Biodiversidade do Ideflor-bio, Crisomar Lobato. Ele comenta que muitas gerações ainda não conhecem a beleza das ararajubas por causa de sua extinção na região. “É um trabalho complexo e delicado, mas queremos devolver esta ave de extrema beleza ao seu habitat”, comenta. Ele destaca que o primeiro registro da espécie se data de 1848, quando foram identificadas pelos pesquisadores.

O projeto está sendo coordenado pelo Dr. Luís Fabio Silveira, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP), sob a execução do biólogo Marcelo Vilarta, Mestre pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A espécie ararajuba está na lista nacional de animais em extinção, na categoria ‘vulnerável’ (que enfrenta um risco elevado de extinção na natureza em um futuro bem próximo).

Parque Ambiental do Utinga – O Parque Estadual do Utinga (PEUt), localizado na Região Metropolitana de Belém, é uma Unidade de Conservação (UC) administrada pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio). Foi criada em 1993 e objetiva a proteção sanitária dos lagos Bolonha e Água Preta, que abastecem cerca de 70% da população de Belém.

Com mais de 1.300 hectares, a área, classificada como uma UC de uso sustentável, preserva ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza, estimulando a realização de pesquisas científicas e incentivando o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, incluindo o turismo ecológico. Seu funcionamento foi readequado às regras do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) em 2008, por meio de decreto.

Atualmente, o Parque do Utinga está fechado para visitação por conta das obras de revitalização. Os trabalhos envolvem a estrutura de acolhimento, que habilitará a área como um dos mais importantes espaços para o turismo na Amazônia e a fixará como uma grande opção de lazer em áreas naturais para os moradores da capital paraense.

Por Márcio Flexa
Fonte:Agência Pará